Tuesday, November 27, 2007
Ela cora, a Menina-Mulher


Menina, faz de novo essa magia. Pinta olho, esconde rosto, pinta os lábios com gosto. Passa horas nessa utopia. Menina, faça o que fizer, não desafie a ordem, não queira em anos ser mulher. Deixe-me dizer-lhe, Menina, que é de meu agrado vê-la dançar. Pé descalço no embalo, e para meu regalo, sabe bem como cantar.

Fotografia: O vestido branco manchado da relva, grávido ao vento. Os saltos vermelhos estavam já escangalhados a um canto. Estavas longe e berravas qualquer coisa que eu não ouvia como quem chama, mas sem doce. O cabelo aflito em rajadas, segurava-lo com as mãos, mas sem sucesso. És linda, pronto, eu confesso. Estou confuso, acabei d'acordar homem em mim e a noite foi longa e escura. E vens tu. Essas tuas mariquices inocentes, incovenientes ao meu saber social. Custou-me crescer, sabes? Balança, balancé da minha confusão... Esse baloiço em que te empoleiraste pode ser afinal a salvação.

Menina, que é menina cora e não pragueja. Você dobra o contrário e ainda boceja. O que irrita, desculpe a impertinência, é quando se comporta tanto que é quase um pranto arrancar-lhe emoção. Explique-me essa incoerência. Se senhora ou menina, a verdade do coração.

Fotografia: O "fato preto dos casamentos", eu insisti. Tu não fazes questão. Já te arranquei a gravata e desbravei a camisa branca. Perdemos um botão que eu procurei debaixo do teu olhar reprovador. Upa, cá está. Coso-o logo quando chegarmos. Tens o cabelo colado da chuva fraca da madrugada. Oh, deixei-te sentado no banco, estou farta de ter medo. Não consinto, não digas que é cedo. Eu sou a rainha do baloiço, berro. Tu não consegues ouvir, está muito vento. Levantas-te e caminhas, casaco pendurado ao ombro esquerdo com a ajuda da mão, camisa branca desfraldada, cigarro conformado na direita. Eu subi para o baloiço, fiz a minha habilidade. Eu sabia que te rias, sabia mesmo, de verdade... Tenho vontade de ser tudo. Tanto a menina faz de si que em mulher se esgota. Só por causa desta paixão, precoce nome, que nasce torta.

Nem tudo o que é parece, Homem-rapaz. Ela cora e não se vê, pateta. É morena e não audaz. Confia nisso, confia nela que tudo à volta se compraz. A mulher que conquista, que ela usa em sedução tem jeito de menina, quando gagueja a canção. Mas não te apoquentes com a timidez, desta pequena endiabrada. Sou pássaro de dono, só passeio quando há nortada... E confessar-me confiante em nós? E dizer-te que sei bem o que escondes no embaraço de um dia teres falado demais?
A Menina é mais mulher à tua beira, agora. Apesar da cadência da idade te preocupar. Façamos um acordo sórdido. Se queres algo que possas confiar... Dou-te o meu espelho. Prometo grave, sobre o joelho:

Num volte-face, quando eu puder, viro Menina-Mulher.


Esa wrote on 9:21 PM.
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